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16/11/2016 06:26h

Seminário sobre práticas pedagógicas reúne figuras internacionais e surpreende

Imagem Noticia

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo realizou nos dias 7 e 8 de novembro,  o I Seminário Latino-Americano – Práticas Pedagógicas na Educação Infantil: Reflexões sobre o exercício da docência com os bebês e crianças pequenas. O evento — coordenado pela Divisão de Educação Infantil (DIEI) em parceria com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) — lotou o auditório da sede com a série de debates e palestras sobre a temática.

Ao longo de dois dias, educadoras da rede pública e especialistas sobre pedagogia na educação infantil brasileira estiveram reunidos com representantes de organizações internacionais. O evento ainda contou com a presença da primeira-dama e coordenadora da São Paulo Carinhosa, Ana Estela Haddad; a vice-prefeita e atual Secretária Municipal de Educação, Nádia Campeão; a professora Rita Coelho, ex- coordenadora geral de Educação Infantil do MEC; e Vital Didonet, assessor da Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) e representante dos Países do Mercosul na Organização Mundial para a Educação pré-escolar.

Paraguai, Chile, Uruguai, Argentina e Espanha enviaram especialistas para contribuir no debate e traçar um panorama da situação da educação infantil em relação a acesso, qualidade no atendimento,  políticas públicas,  documentação,  escuta de bebês e crianças pequenas, assim como  protagonismo da primeira infância na construção de um cenário mais acolhedor e progressista.

Segundo Sônia Larrubia, diretora da DIEI e organizadora do seminário, esta é a primeira vez que “a cidade de São Paulo tem a oportunidade de acolher colegas latino-americanos para  discutir, refletir e debater conjuntamente a docência para os bebês”. Ela ressaltou que o evento é histórico, pois o assunto ainda não é muito debatido pela sociedade. mesmo passados quase 15 anos desde que as creches tornaram-se responsabilidade da SME e não mais da  Assistência Social. “Este seminário tem o papel de trazer para o debate justamente isso: como nós, adultos, podemos fazer para que essa potência das crianças e o direito delas seja cada vez mais considerado, não só na nossa cidade, mas como no nosso país e no mundo”, afirmou ela  no início do evento.

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Sônia Larrubia, diretora da Divisão Pedagógica da Educação Infantil na Secretaria Municipal de Educação

No primeiro dia, a política — tanto sob perspectivas atuais, como em ações realizadas no Brasil e no mundo —  foi o foco principal. A primeira-dama de São Paulo, Ana Estela Haddad, apresentou dados sobre a cidade e sobre o papel da São Paulo Carinhosa na articulação de ações de  14 secretarias para promover o desenvolvimento integral da primeira infância. Ana Estela reforçou a importância dos municípios brasileiros serem contemplados por políticas  voltadas a esse tema.

Entusiasta da criação dos Parques Sonoros nas Unidades de Educação Infantil, Ana Estela exibiu um vídeo sobre o assunto e defendeu a importância do estudo sobre a primeira infância com dados. “Uma questão importante, quando a gente analisa a população mundial, é a tendência enorme de crescimento da população urbana. A gente tem hoje um bilhão de crianças de zero a cinco anos que vivem nas cidades, segundo dados do UNICEF de 2002. Então aí vem a pertinência de pensar a cidade também na perspectiva da criança. São 330 mil nascimentos por dia no mundo. É interessante olhar para esses números quando a gente fala de primeira infância.”

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A coordenadora da São Paulo Carinhosa, Ana Estela Haddad, em sua fala na mesa “Políticas Públicas para a Infância na Cidade de São Paulo”

Rita Coelho, ex-coordenadora geral de Educação Infantil, vinculada à Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC), lembrou sua participação na gestão da SME quando comentou, em reunião com o Ministério Público, que São Paulo é referência nacional ‘para o bem ou para o mal’.  ”Hoje eu posso dizer, tranquilamente: para o bem da educação infantil, São Paulo é uma referência nacional”. A professora apresentou dados e questionou a PEC 55 (antiga 241), sancionada por Michel Temer, durante a  mesa “Políticas Públicas para a Educação Infantil: breve panorama de países Latino-Americanos”.

Pela primeira vez em São Paulo, a catalã Irene Balaguer, pedagoga e diretora da Revista Infância Latino-Americana, contou sobre a história de luta por espaços de educação infantil de qualidade na Espanha. Segundo ela, os processos históricos condicionam o que vai acontecer com as pessoas, de modo a influenciar a política que se faz.

Irene relatou o caso das primeiras escolas cooperativas em Contúrias, bairro periférico de Barcelona, afirmando que “apesar da ditadura [vigente na década de 1960, na Espanha], pessoas formaram clandestinamente uma ampla rede de famílias e docentes que lutavam contra os dois únicos tipos de ofertas de educação infantil presentes na época: os espaços religiosos e as entidades que viam nas creches um potencial para ganhar dinheiro”. Desse movimento surgiu a Associação de Mestres Rosa Sensat.

A America Latina marcou presença com a participação da paraguaia Marien Peggy, diretora da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) que tratou das “políticas de niñez” (termo em espanhol usado para definir as políticas para a infância). Peggy defendeu que o intuito não deve ser atender só aos mais pobres, já que todas as crianças têm o direito de frequentar o ambiente educacional. O uruguaio Javier Alliaume Molfino, especialista e docente na formação de educadores de primeira infância no Centro de Formación y Estudios del Instituto del Niño y del Adolescente del Uruguay, e a argentina Maria Emília Lopez, pedagoga, psicóloga e especialista em educação infantil, trouxeram informações e relatos de seus países.

Dados da Unesco , de 2016, dão conta que os dois únicos países que atingiram 100% de profissionais da educação com nível superior de capacitação para exercer a docência são Cuba e Trinidade e Tobago. Chile, Venezuela e Argentina aparecem na sequência com 99%, 95% e 90%, respectivamente. No Brasil, a porcentagem não passa de preocupantes 60%, considerando o papel fundamental do educador na construção da cidadania.

Vital Didonet foi contundente em sua fala sobre o Marco Legal da Primeira Infância. Ele contou sobre a trajetória do processo de escrita e aprovação da lei dizendo que “as crianças sabem falar tudo. É importante que tenhamos ouvidos para escutá-las. O Marco Legal tem um pedaço que fala da importância da educadora saber ouvir a criança (que) não é número, é sujeito . E as políticas públicas devem atentar para isso: multiplicar ao infinito as possibilidades”. Contestou a universalização das características infantis por considerar importante que o poder público avalie individualmente e não a partir do senso comum.

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“Políticas Públicas para a Educação Infantil: breve panorama de países Latino-Americanos”. Da direita para a esquerda: Vital Didonet (RNPI), Rita Coelho, Nádia Campeão, Irene Balaguer  e Marien Peggy

A pauta esquentou ainda mais no segundo dia do Seminário com a importância da escuta dos bebês . A começar pelo lançamento da revista Parques Sonoros. Disponível somente na versão digital, no momento (clique aqui), a publicação apresenta o registro de toda a trajetória,  as formações do projeto — realizadas pela DIEI desde 2014 nas Unidades de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de São Paulo (RME) — até a demonstração de como já funcionam os espaços que envolveram 130 unidades educacionais, 4.500 professores e 43 mil bebês.

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No lançamento da revista “Parques Sonoros” (da esquerda para a direita): Cintia Campolina, formadora dos Parques; Sônia Larrubia, coordenadora da DIPEI; a secretária adjunta da SME, Fátima Aparecida Antonio; e a assessora pedagógica, Maria Cristina de Campos Pires

O tema dos Parques Sonoros contou com a presença de Sônia Larrubia, Fátima Antonio, atual secretária adjunta da SME, Maria Cristina de Campos Pires, assessora pedagógica e uma das principais responsáveis pela execução do projeto, e Cintia Campolina, formadora dos Parques Sonoros,  especialista em música  e auxiliar das educadoras no processo de unir arte e pedagogia. O material traz concepções e propostas de como trabalhar a percepção sonora no cotidiano da educação infantil. A revista  pode ser lida nas formações, nas unidades entre gestores e também com as crianças, protagonistas do projeto inovador. A investigação sonora dentro e fora do universo infantil, a reorganização dos espaços internos e externos das unidades, o lúdico, a escuta, a sustentabilidade ecológica, entre outros temas, são apresentados como resultado dessa experiência que entrou definitivamente para a cultura dos Centros Educacionais Infantis (CEI) e Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI) paulistanas.

“Práticas Pedagógicas com os bebês e as crianças pequenas: Reflexões sobre possibilidades, potências e especificidades” contou com a delicadeza poética da argentina Maria Emilia Lopez e de Renata Cristina Oliveira, coordenadora do Núcleo Educacional do Centro Educacional Unificado (CEU) Alvarenga, que emocionou a plateia contando sobre a evolução do acolhimento de qualidade no CEU Alvarenga. A “cidade-CEU”, como brincou Renata, recebe em média cinco mil pessoas por dia, sendo, dois mil bebês e crianças pequenas. Um espaço gigante, no qual, hoje, a pista de skate, o bosque, o teatro e a biblioteca, são configurados para a primeira infância.

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A mesa  ”Práticas Pedagógicas com os bebês e as crianças pequenas: Reflexões sobre possibilidades, potências e especificidades” (da dir para a esq): Elaine Cristina da Conceição, a argentina Maria Emilia Lopez, Maria Cristina Campos Pires, que mediou a conversa, e Renata Cristina Oliveira

 

Ela relatou a experiência “Um Quintal do tamanho do CEU”: “O Quintal (do tamanho do CEU) nasce há três anos após um estudo de realidade. O CEU, nessa potência que ele é todo dia,  tem muitos projetos e muitas ações. Nós concluímos que não havia nenhum projeto paras as crianças de zero a três anos de idade e, dois ou três projetos, pras crianças de quatro a seis. E a gente começou a perguntar ‘como é que pode uma potência como essa deixar invisível as crianças bem pequenas?’”.

Elaine Cristina da Conceição, do Núcleo de Educação Étnico-Racial da SME, falou sobre o trabalho contra o racismo que vem sendo realizado nas formações com educadores da rede. “Sendo profissionais da infância, precisamos pensar o papel que a educação tem no combate do racismo, no preconceito, na discriminação e na xenofobia. Então, quando a gente pensa nisso, é importante entender que reconhecer implica em justiça e igualdade de direitos sociais. E isso vai requerer alteração nos discursos, no raciocínio”, afirmou Elaine.

A primeira infância na cidade de São Paulo ganha mais visibilidade e, como lembrou a vice-prefeita Nádia Campeão, há muito ainda para ser feito,  mas “falta menos agora”.

 

Fotos: Eduardo Ogata e Secretaria Municipal de Educação (Reprodução)

 

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